Paulo Lima - Valor mesmo é ser jacobinense


Quando criança vovô me contava histórias sobre as estrelas
E o quanto elas são fascinantes.
Hoje me pego sentado na moderna varanda de minha casa, como um Beija-Flor da noite,
Sentado respirando um ar que um dia vovô disse não existir.
Deito-me nesta varanda florida a tentar olhar as tão comentadas estrelas, neste momento não sei qual seria a reação de meu amado, pois não há estrelas.
Não seria de tristeza, afirmo! Pois as estrelas estão cobertas pelas nuvens carregadas de água, prontas para serem jogadas sobre nossa terrinha.
Me sinto tão impotente, tão medonho e tão culpado por não estar na tão sonhada roça, do meu fiel conselheiro,
Tão triste e fragmentado por perder as lagrimas no rosto de vovó ao ver a chuva caindo sobre o desfiladeiro.
Tão arrependido por não assistir sua sena, ao fazer um cigarro com folha de milho e de tanta alegria dar graças a Deus.
Mas acima de tudo orgulhoso, orgulhoso por ter vivido um tempo aonde se perco em tantas saudades.
Saudades de assistir as cantorias, conhecer as melhores figuras do sertão, conhecer as maiores trilhas da vida,...
Mas hoje sou grato pelos valores que esta terra me deu, o valor do país onde nasci, do berço onde me criei, do Sol que arde na pele, das rugas de preocupação, dos cordéis sertanejos, da esperança de ter na mesa o dicume, da luta pela sobrevivência, do caminho que percorri, do valor do rio do ouro e do Itapicuru, da Igreja da Missão, da Matriz e da Conceição, das cachoeiras e do legado desse povo. O valor de ser feliz, mas acima de tudo o valor de ser conterrâneo, ser jacobinense.

Paulo Lima

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